Quem sou e o porquê de ser Solicitadora

Chamo-me Raquel e sou Solicitadora desde 2013.

Sou mãe de uma menina e de um menino e mulher do Pedro.

Adoro a minha profissão porque o que faço envolve lidar com pessoas, gerir expectativas, conflitos, inseguranças e ouvir as suas histórias.

Costumo dizer que exerço várias profissões numa só. Tenho de ser organizada como um contabilista, criativa como um artista, ouvir e aconselhar como um psicólogo. Quando me sento na sala de actos rodeada de pessoas a olhar para mim expectantes, sinto-me uma atriz em palco, mas também como um cirurgião num bloco operatório, porque enquanto represento o meu papel e os expectadores me ouvem, tenho de ter máxima atenção e rigor. Tenho de ser atenciosa, leve e confiante como uma hospedeira de bordo, mas ao mesmo tempo assertiva, firme e dura como maestro a liderar uma orquestra.

Lidar com as emoções das pessoas na sala e gerir a pressão da responsabilidade mantendo a calma, o sorriso e a empatia é muito desafiante e eu adoro a sensação quando todos saem da sala felizes com o resultado e gratos pela experiência.

A minha história

A minha história de vida e o meu percurso até aqui é igual a tantas outras.

Comecei pequenina no negócio dos meus pais a lidar com pessoas, ganhava 5 escudos por cada café que oferecia aos clientes e vendia à porta do prédio onde morava pedras que pintava. Juntava esse dinheiro para as férias de Verão no Algarve com os meus padrinhos. Nunca me dei parada, as férias grandes eram um tormento, sempre gostei de estar envolvida nalguma coisa, de arrumar, organizar, empreender. Lembro-me de ser miúda e montar lojas com os sapatos da minha mãe, quiosques de revistas, lojas de venda de Cd´S, lembro-me de pegar nas notas do monopólio e montar verdadeiros negócios. Sempre gostei de organizar festas, eventos e tratar das decorações, ainda hoje adoro.

Os meus avós, de ambos os lados, eram comerciantes e cada vez mais concluo que as suas experiências e a dureza do que passaram estão-me de certeza no sangue. Estou certa de que as experiências dos meus pais nos negócios que tiveram, as pessoas com quem lidavam e as dificuldades que passaram definem aquilo que sou hoje, porque vivenciei esses momentos de perto.

O colégio onde andei, a escola secundária, o instituto de inglês, a força e generosidade da minha mãe e a sua doença e morte, o meu marido e as adversidades que passamos juntos, a licenciatura em recursos humanos e as empresas onde estive nessa área, a criação de um negócio com outro sócio e o seu fim, a mediadora imobiliária onde comecei e a luta para

aprender sozinha numa altura onde poucos solicitadores titulavam actos, o nascimento dos meus filhos e o crescimento deles. Estou certa de que todas estas experiências me trouxeram da cave onde comecei na garagem dos meus pais, até aqui.

Um percurso de sacrifícios, de trabalho e dedicação, mas também de momentos muito bem passados e de grandes experiências com pessoas maravilhosas que ainda hoje perduram.

O que é para mim um Solicitador

Na minha opinião um Solicitador de excelência tem de ser acima de tudo um excelente comunicador e ter bons princípios e valores.

Ser Solicitador e nomeadamente Solicitador titulador de Documentos Particulares Autenticados, é um trabalho compensador mas de uma enormíssima responsabilidade, quer quanto ao acto em si, quer quanto ao impacto que a nossa atitude e as nossas decisões têm na vida das pessoas envolvidas. Temos de ter a humildade de perceber que a nossa decisão e o nosso escrutínio têm consequências sérias na vida das pessoas, porque uma decisão má tomada num momento de tensão e pressão pode ser desastroso.

Por seu turno temos de ser capazes de nos adaptar continuamente, às alterações da legislação, às novas tecnologias, à mudança de procedimentos, à novidade constante, pois mesmo ao fim destes anos, sempre aparece algo novo para analisar e resolver e temos de descobrir como conseguir o resultado final.

Costumo dizer que muitas vezes os clientes trazem um verdadeiro novelo, todo emaranhado, muitas vezes acreditando que não terão solução para o seu problema. Temos de ter a capacidade de encontrar o fio, ir tirando os nós e refazer o novelo até ao resultado final. Ou então digo que muitas vezes os clientes trazem um puzzle que temos de ir montando, peça a peça, até à sua conclusão.

É incrível como uma profissão aparentemente tão previsível tem muita imaginação e criatividade envolvida.

A minha equipa

Durante largos anos trabalhei sozinha, só tenho escritório físico aberto ao público desde 2022, antes disso o meu escritório era na rua, nas imobiliárias onde me deslocava e por vezes ainda desloco, para a realização de actos. Foi lá que fui conquistando muitos dos clientes que até hoje confiam no meu trabalho.

Hoje mudou de facto a perspetiva daquela altura. Temos um escritório com 170m2, uma sala de actos com capacidade para 12/15 pessoas sentadas, bons acessos e todas as condições para a média de 60 actos que mensalmene realizamos e 30 processos de legalização que temos em curso.

Quando o trabalho aumentou e comecei a procurar uma colega para me ajudar, fiquei espantada com a quantidade de pessoas, licenciadas em direito e solicitadoria, à procura de uma oportunidade. Fiquei triste e preocupada por perceber o desespero de muitos jovens que depois do curso não têm facilmente forma de começar a exercer a profissão, alguns deles altamente qualificados, com mestrado, mas também percebi rapidamente que dentro dessas centenas de pessoas em busca da oportunidade, muito poucas reunem as características pessoais que considero fundamentais para trabalhar comigo.

Posso dizer que o nosso escritório representa um misto de informalidade e ambiente familiar com rigor técnico, pressão e seriedade. Por isso, quando decidimos fazer uma sessão fotográfica para nos representar, imediatamente tive a preocupação de que essas fotos refletissem a nossa essência. Veio-me logo à ideia tirarmos fotos num parque, com florestação agreste, mas vestidas de forma formal, porque de certo modo a floresta e a leveza e frescura do verde reflete aquilo que é o dia a dia no open space de trabalho e o nosso modo de estar na vida; já a forma de nos apresentarmos, de forma formal e cuidada, representa a formalidade e seriedade com que encaramos a profissão.

A minha equipa tem de acima de tudo espírito de entrega, rigor e compromisso, tem de ser capaz de relacionar os conhecimentos técnicos e a vontade de melhorar continuamente, à sensabilidade de lidar com pessoas muito diferentes e sob pressão.

Quem trabalha comigo tem de perceber que o que temos em mãos é de uma enorme responsabilidade e que cada cliente e o seu assunto é único. Penso que essa capacidade, de aliar técnica a humanidade não se aprende, nasce connosco e molda-se no nosso seio familiar, no nosso meio e nas nossas experiências de vida. Todos compreendem do que falo no primeiro minuto e é por esse motivo que estou certa de que ainda iremos, como equipa, alcançar grandes feitos.

O futuro

Não sei o que o futuro nos reserva, para onde vamos, como e de que forma. Mas há algo que em mim e na minha equipa que nunca se perde: o espírito de entrega, o entusiasmo, o receio de falhar e a vontade de ser sempre cada vez melhor, a consciência de que tudo passa demasiado rápido, a certeza de que nada é certo ou adquirido e que o hoje deve ser vivido intensamente e na nossa melhor versão como pessoa e que diariamente devemos procurar a excelência e a felicidade em tudo o que fazemos na nossa vida, porque não sabemos se amanhã vamos poder ser ou fazer diferente. Penso que o grande segredo do nosso sucesso é isso mesmo, sermos muito felizes no nosso trabalho, adorarmos o que fazemos e pensarmos continuamente em como podemos ser cada vez melhores como equipa, onde todos falham e todos ganham, como um só.